Curso: Criatividade Estratégica para Inovar
Aula 13 – Os Dois Grandes Desafios do I.D.M.: Dominar o “Sem Justificar” e Desenhar Causa e Efeito
Depois das 12 primeiras aulas deste curso, já é possível compreender e aplicar a metodologia I.D.M. – Innovation Decision Mapping e começar a atuar como Facilitador I.D.M.
Mas, para se tornar um facilitador diferenciado, é necessário dominar dois aspectos fundamentais da metodologia:
Primeiro: dominar a regra “Sem Justificativas”.
Segundo: saber desenhar as relações de causa e efeito, incluindo os ciclos de feedback ou looping.
Esses dois desafios exigem prática e atenção aos detalhes.
Vamos começar pelo primeiro.
1. Dominar a regra “Sem Justificativas”
Imagine que estamos trabalhando com o seguinte objetivo:
“Ser um estrangeiro fluente em japonês no Japão.”
Solicitei a um chatbot de Inteligência Artificial algumas opções para a etapa de Questão-Chave.
Entre as respostas, o chatbot apresentou:
- Manter a motivação sem resultados rápidos e visíveis.
- Conseguir prática real e constante com nativos.
À primeira vista, parecem ser apenas duas opções.
Mas um Facilitador I.D.M. experiente precisa olhar além da frase e identificar se existe mais de um elemento dentro de uma mesma opção.
Isso é importante porque um chatbot de IA, assim como uma pessoa, pode incorporar justificativas ou juntar diferentes ideias em uma mesma frase, mesmo sem intenção.
Veja a primeira opção:
“Manter a motivação sem resultados rápidos e visíveis.”
A expressão “sem resultados rápidos e visíveis” pode estar funcionando como uma explicação ou condição associada à dificuldade de manter a motivação.
Como a regra do I.D.M. é “Sem Justificativas”, precisamos separar os elementos.
O facilitador pode desmembrar essa opção em:
- Manter a motivação.
- Sem resultados rápidos.
- Sem resultados visíveis.
Mas existe um cuidado importante:
O facilitador não deve simplesmente modificar a ideia apresentada pelo participante.
Ele deve explicar o desmembramento e confirmar com quem apresentou a opção se as novas formulações representam corretamente aquilo que a pessoa quis dizer.
Esse procedimento permite transformar uma frase complexa em elementos mais simples e independentes.
2. Separar ideias diferentes dentro da mesma opção
Agora vamos analisar a segunda opção:
“Conseguir prática real e constante com nativos.”
Aqui encontramos a conjunção “e”, que está unindo duas ideias.
Podemos desmembrá-la em:
- Conseguir prática real com nativos.
- Conseguir prática constante com nativos.
Novamente, o facilitador apresenta o desmembramento e confirma com o participante se as duas opções representam adequadamente a ideia original.
Assim, as duas opções fornecidas inicialmente pelo chatbot podem resultar em cinco opções independentes:
- Manter a motivação.
- Sem resultados rápidos.
- Sem resultados visíveis.
- Conseguir prática real com nativos.
- Conseguir prática constante com nativos.
Agora temos elementos muito mais adequados para realizar a próxima etapa da metodologia:
a análise das relações de causa e efeito.
3. Desenhar causa e efeito
Com os cinco elementos separados, podemos começar a investigar suas relações.
Por exemplo:
Conseguir prática real com nativos não gera resultados rápidos, mas pode contribuir para conseguir prática constante com nativos.
A prática constante pode contribuir para gerar resultados visíveis.
Resultados mais visíveis podem contribuir para manter a motivação.
E a própria motivação pode estimular a busca por mais prática real com nativos.
Temos então um ciclo:
Prática real → sem resultado rápido → prática constante → resultados visíveis → motivação → mais prática real.
Perceba o que aconteceu.
Começamos com apenas duas frases fornecidas pela Inteligência Artificial.
Depois de aplicar corretamente a regra “Sem Justificativas”, identificamos elementos diferentes dentro dessas frases.
Ao separar esses elementos, conseguimos enxergar relações de causa e efeito que estavam escondidas na formulação original.
E, finalmente, identificamos um feedback looping.
O verdadeiro desafio do Facilitador I.D.M.
É justamente aqui que aparece a importância da experiência do facilitador.
Um facilitador iniciante pode simplesmente registrar aquilo que a pessoa falou.
Um facilitador experiente procura identificar:
- Existe mais de uma ideia nesta frase?
- Existe uma justificativa embutida?
- Existe uma condição?
- Existe uma relação de causa e efeito escondida?
- Existe um possível feedback ou looping?
Mas atenção:
O papel do facilitador não é inventar novas ideias para o grupo.
Seu papel é ajudar o grupo a enxergar melhor as ideias que já foram apresentadas, separando elementos diferentes e tornando explícitas as relações existentes entre eles.
Por isso, os dois grandes desafios do Facilitador I.D.M. são:
Dominar o “Sem Justificativas”
e
Desenhar as relações de causa e efeito com feedback ou looping.
Quando essas duas competências são realmente dominadas, o facilitador consegue extrair muito mais valor das opções geradas pelo grupo.
E é nesse momento que a metodologia I.D.M. deixa de ser apenas uma sequência de etapas e passa a funcionar como uma verdadeira ferramenta de Pensamento Estratégico e Criativo.
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