Curso: Facilitação na Prática — Reuniões de Solução de Problemas e Inovação
Aula 02 — Facilitação: por que é tão difícil aplicá-la na prática?
Aula 02 — Facilitação: por que é tão difícil aplicá-la na prática?
Por que é tão difícil aplicar a facilitação na prática, mesmo para quem já conhece seus conceitos?
Podemos identificar três grandes dificuldades:
Não ter a facilitação como valor.
Não possuir um conjunto completo de ferramentas.
Não encontrar oportunidades para praticar.
1. Não ter a facilitação como valor
O princípio fundamental da facilitação é: o facilitador é responsável pelo processo; o grupo, pelo conteúdo.
Ser facilitador exige acreditar no potencial do grupo para construir soluções melhores do que aquelas que o próprio facilitador poderia propor.
Essa confiança não está apenas na qualidade das ideias coletivas, mas também no comprometimento das pessoas em executar as soluções que ajudaram a construir.
Entretanto, muitos profissionais, especialmente consultores, têm dificuldade em assumir esse papel. Mesmo quando atuam como facilitadores, a tendência de oferecer opiniões e sugerir soluções acaba prevalecendo, muitas vezes inconscientemente.
Existem alguns gatilhos para esse comportamento:
O participante faz uma pergunta diretamente ao facilitador, esperando sua opinião.
O consultor, atuando como facilitador, não resiste à tentação de oferecer suas próprias soluções.
O cliente prefere contratar alguém que conheça profundamente seu negócio, esperando também contribuições sobre o conteúdo.
O desafio é resistir a essas situações e manter o foco no processo, sem assumir o papel de quem fornece as respostas.
2. Não ter um conjunto completo de ferramentas
Conhecer o conceito de facilitação não é suficiente. É necessário ter uma metodologia e ferramentas que permitam conduzir o processo do início ao fim, desde a definição do objetivo até a construção de ações concretas.
Um conjunto completo precisa integrar três funções:
Divergência: gerar possibilidades e novas ideias.
Organização: conectar e estruturar o conhecimento coletivo.
Convergência: avaliar, selecionar e priorizar alternativas.
Na metodologia I.D.M. — Innovation Decision Mapping, essas ferramentas trabalham de forma integrada para apoiar a tomada de decisão.
3. Não encontrar oportunidades para praticar
Essa dificuldade também está relacionada ao posicionamento profissional.
É comum encontrar consultores que fazem facilitação, mas é menos comum encontrar profissionais que se posicionam como facilitadores e não como consultores.
O mercado conhece treinamento e consultoria, mas ainda conhece pouco a facilitação. Por isso, vender um trabalho de facilitação pode exigir mais esforço e criatividade para demonstrar seu valor.
Parcerias com facilitadores experientes podem ajudar a criar oportunidades de prática e desenvolver experiência.
Uma reflexão final:
Dos três desafios, fornecer um conjunto completo de ferramentas é provavelmente o mais fácil de resolver. Criar oportunidades de prática também pode ser superado com parcerias.
Mas ter a facilitação como valor é uma transformação mais profunda, porque exige mudar a maneira como o profissional enxerga seu próprio papel.
E aqui existe um paradoxo interessante:
Quanto mais complexo o problema ou mais disruptiva a inovação, menos relevante pode ser o conhecimento específico do facilitador sobre o assunto.
Nessas situações, confiar no potencial do grupo e conduzir bem o processo pode ser muito mais importante do que oferecer respostas.
Na próxima aula, vamos começar a conhecer as ferramentas que permitem colocar a facilitação em prática.